Fender “Mary Kaye” Stratocaster 57′

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“A primeira dama do rock n’ roll”. É dessa maneira, com essa alcunha tão admirável, que muitos até hoje se referem à cantora e guitarrista Mary Kaye (nascida Mary Ka’aihue, no Hawaii), especialmente aqueles que viveram os anos 50, a grande década de ruptura de um mundo tímido e camponês para o mundo voluptuoso e barulhento do rock. Mary foi pioneira absoluta em sua geração, símbolo forte de rompimentos e das reivindicações que não conseguiam mais seguir caladas e reprimidas. Em plenos anos 50, mais precisamente 1956, essa devia ser a primeira impressão para quem, numa leitura distraída de catálogo comercial, de repente se deparasse com um anúncio de guitarras com uma  mulher, e dessa vez não era uma figurinista de fundo de bastidores com um sorriso amarelo, era simplesmente uma mulher empunhando uma guitarra!! Lembre-se, estamos falando dos anos 50, ainda havia segregação racial nos EUA e mulheres não eram muito mais que uma propriedade de seus maridos, que vinham no pacote junto com a casa própria e o Oldsmobile da família. A imagem de Mary Kaye é o equivalente a um “Martin Luther King” das mulheres no cenário do rock e da guitarra, um marco da libertação feminina nos anos 50, quando a àgua ainda estava começando a borbulhar, pronta para ferver na década seguinte.

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Mary Kaye Trio (1956): Foto do catálogo da Fender de 56

Em 1956, a Fender decidiu promover um anúncio com o “Mary Kaye Trio”, grupo de Mary, precursor do fenômeno “lounge” nascido em Las Vegas. Este anúncio é bastante significativo da história da Fender, pois nele figura a primeira guitarra ‘custom’ de sua história, introduzindo opcionais estéticos em relação aos modelos two-tone sunburst de 1954; é portanto a primeira investida da Fender na segmentação de sua produção, oferecendo ao consumidor diferentes padrões de qualidade e preço, podendo acrescentar, de certa maneira, opcionais como ferragens douradas. O novo modelo, lançado comercialmente em 1957, era uma Fender Stratocaster feita com corpo em ash, braço em maple com escala clara, na cor blonde e principalmente, com ferragens douradas, a jóia da coroa.  No catálogo, ela era simplesmente descrita como “Blonde/gold parts”. Ao preço de US$330,00 você poderia adquirir uma, com opção de levá-la no case tweed, acrescidos mais 49 dólares. O que verdadeiramente impulsionou a venda dessas guitarras foi a foto de Mary Kaye no catálogo, de forma que quando as pessoas iam às lojas, não pediam pela Stratocaster Blonde/gold parts, e sim pela Strato da Mary Kaye, de forma que essas guitarras acabaram sendo batizadas de “a Mary Kaye” nos primeiros círculos de colecionadores. As stratos “Mary Kayes” originais estão certamente no grupo das guitarras Fender mais colecionáveis, muito difíceis de serem encontradas no mercado. A Custom Shop reeditou a “Mary Kaye” em 87, com uma tiragem extremamente limitada, e por isso, só essas reedições já podem chegar a US$10.000 nos EUA. A “Mary Kaye” é o anjo barroco das Stratocasters, digamos assim, elegantes e suntuosas, porém simples.

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Detalhe das ferragens douradas

 

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Detalhe da cor Blonde sobre o corpo ash

 

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Mary Kaye da Custom Shop, 87′

2 Respostas para “Fender “Mary Kaye” Stratocaster 57′

  1. Olá, obrigado por visitar meu blog. Se vc gostou daquele então acho q vai gostar do meu outro blog: http://www.zonadohumbucker.blogspot.com

    Abraço!

  2. Rafael, muito legal a matéria. Tenho uma Mary Kaye reissue que estou pensando em vender, mas com muita dó.
    Grande abraço

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