Gibson relança Epiphone Wilshire de 62′

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Reedições… tá aí um assunto que merece um melhor aprofundamento, quem sabe mais tarde não é mesmo? Para vocês terem uma vaguíssima idéia, a divisão Custom Shop da Gibson, que na reestruturação recente da empresa passou a deter monopólio de alguns modelos, como a Les Paul Custom, as reedições Custom Historic e todas as Electric Spanish (as semi-acústicas ES), já tem provavelmente fechado um portfolio de futuras reedições para os próximos dois anos, tudo cronometradinho, de forma que cada relançamento atenda às devidas metas da Gibson. Isso faz sentido, não é “promiscuidade” da Gibson, ela é antes de tudo uma empresa e, oras, tem que pagar no final do mês seus funcionários… NORTE-AMERICANOS! Não é pouca grana não. Muita gente reclama dos preços exorbitantes que a Gibson pratica, o que para muitos faz parte de suas estratégias mercadológicas de manterem os preços a acesso bastante restrito de forma que isso se converta em algum “prestígio” elitizado em favor da marca. Ora, isso é besteira, é paranóia, é síndrome persecutória, sei lá. É claro que quando você compra uma Gibson, você compra um valor agregado, que demandou muito empenho para ser construído. A Gibson pode ter diversos defeitos e, de fato, alguns preços praticados parecem estar completamente fora da realidade, mas é um fato que a empresa mantém um padrão de construção e preciosismo artesanal invejáveis a qualquer empresa do ramo, ainda mais mantendo tamanha qualidade com um catálogo tão imenso de modelos standards, reedições e novos lançamentos. Mas enfim, a gente continua essa história depois.

O fato é que a Gibson resolveu relançar o modelo Wilshire da Epiphone, lançada inicialmente na década de 60. À época, a Wildshire já era um projeto solid-body próprio da Gibson, já que a Epiphone já havia sido adquirida pela Gibson em 1957 e sua produção toda deslocada para a tradicional planta de Kalamazoo em Michigan. Propriamente em 1959, a Gibson tomou a decisão final de não dissolver a marca Epiphone, que já havia se consolidado com seus consumidores, e resolveu então não só seguir a produção dos modelos antigos como também projetar e criar novos modelos feitos inteiramente na planta de Kalamazoo. De 1959 até início dos 70, as guitarras e baixos Epiphone de corpo sólido (solid-body) foram produzidas em escala bastante limitada, já que a produção se concentrava nas solid-body da Gibson, especialmente o modelo SG, que verteu enorme empenho da empresa na sua promoção e divulgação, aliás com total êxito.

Em 1960, a Gibson lançou a Wilshire, uma guitarra de corpo sólido configurada com dois captadores P-90, ponte Tune-O-matic, corpo de mogno e braço em uma única peça, colado ao corpo. Inicialmente, a idéia da Gibson era a de jogar a Wilshire no mercado para competir com as Fender Stratocasters, até então o padrão de guitarra em corpo sólido, e certamente o modelo mais popular. Em 1962, você poderia adquirir uma Wilshire por US$210,oo. O detalhe é que esse preço foi mal calculado, pois a produção naquele ano das Wilshires foi bem abaixo do que a Gibson inicialmente planejou, apenas cerca de 180 guitarras foram produzidas. Não demora muito para entender o que aconteceu, certo? A escassez dessas guitarras, especialmente a de 62, e a enorme publicidade atraída pela idéia de uma “stratocaster” da Gibson fez os preços da Wilshire subirem paulatinamente, primeiro em duas décadas, depois de ano a ano. Uma Wilshire, específicamente deste ano, pode chegar a incríveis US$12.000 no mercado norte-americano. Bem, o problema é que o relançamento então ficou salgadíssimo por causa de toda essa especulação, o list price sugerido pela Gibson (que está bem acima do preço final praticado pelas distribuidoras de instrumentos musicais, apesar de tudo) é de US$4.832. A Gibson inclusive apresentou um gráfico demonstrativo da valorização de mercado das Wilshires:

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A reissue da Wilshire chega às lojas com corpo e braço feitos em mogno, escala escura em jacarandá, sem frisos, dois captadores P-90 com polos ajustáveis, trastes medium/jumbo, tarrachas Kluson, 2 controladores de volume, 2 de tonalidade, ferragens cromadas e potenciômetros CTS, case e o escudo em Tortoise com o clássico lôgo E da Epiphone posicionada entre os captadores. Vem ainda com uma camiseta (!), palhetas especiais(!!) e correia customizada. Virá apenas na cor branca.

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Epiphone Custom Historic USA 1962 Wilshire Reissue

 

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Detalhe dos captadores e logo Epiphone

 

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Detalhe do headstock

notícia original: http://www.gibson.com/en-us/Lifestyle/ProductSpotlight/NewModels/presenting-wilshire-601/

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