A Gibson SG em Woodstock

gibsonwoodstcks

Para muitos seria o maior fiasco da Terra, mas o que realmente aconteceu foi que a história testemunhou o maior e mais popular festival de rock de todos os tempos, em proporções verdadeiramente abissais. Com a chegada do verão agora em 2009 nos EUA, os americanos relembram os 40 anos de Woodstock, realizado em 1969 numa fazenda de 600 acres, nas imediações da pequena cidade rural de Bethel, com direito a vacas pastando e feno rolando ao vento enquanto meio milhão de pessoas chegavam de todas as partes do país e do mundo.

Woodstock foi a grande vitrine das bandas de rock da época, e embora já houvesse bandas de rock com popularidade consolidada, o festival serviu para deixar o rock n’ roll um pouco mais acima do chão e um pouco mais próximo dos deuses, com uma coleção de apresentações antológicas, que se tornaram mitos absolutos da cultura popular moderna. Mas não foram só as bandas que se aproveitaram dessa vitrine, as guitarras elétricas também embarcaram nessa onda e se popularizaram consideravelmente, dividindo de igual para igual, o espaço com os violões acústicos e a turma folk, o que à época representava um imenso progresso, basta lembrar da dificuldade que Dylan teve em introduzir guitarras no seu som folk com violões comportadinhos (embora suas letras rajassem como trovoadas), o que enfureceu grande parte de seu público, para dar só um exemplo do quão problemático era a aceitação dos instrumentos elétricos.

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Woodstock mitificou vários modelos de guitarra. Quem não se lembra da Fender Stratocaster branca de Hendrix, por exemplo? Não é nem preciso ser fanático por guitarras para se lembrar dessa imagem, aquele cara com aquelas roupas cheias de fiapos, aquela bandana estranha na cabeça! e uma guitarra branca que tinha alguma coisa esquisita nela (claro! estava invertida, Hendrix não tinha paciência para esperar chegar nas lojas os modelos para canhoto da fender, que eram raros, então comprava a destra mesmo e invertia as cordas).

Fender Strato invertida
Fender Strato invertida

Mas não foi só a stratocaster branca de Hendrix que reinou em Woodstock, haviam também Les Pauls, ES-335, Telecasters, e toda sorte de guitarras imagináveis; em particular, houve também outra estrela que desembarcou em vários palcos e tomou os olhos de milhares de espectadores. Uma silhueta de corpo inconfundível com dois cutaways que pareciam os chifrinhos do capeta (e teve algo mais oportuno para o rock? uma guitarra do capeta!), sugestivamente em cor cereja (o finish mais popular dela), uma cor que parecia flamejar aos acordes brutais que saíam do amplificador. Equipada com dois captadores P-90, com um timbre gordo, cheio de graves que caíam como uma bigorna nos tímpanos dos espectadores. Com vocês, a GIBSON SG SPECIAL.

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Gibson SG Special, pintura cereja, dois captadores P-90 do tipo single-coil.

Talvez o mais emblemático e lembrado artista a tocar com a SG Special em Woodstock tenha sido El Señor Santana. A performance de Santana foi explosiva, com riffs incendiários, incrementando o rock com percussões e fraseados de guitarra latinos. Da noite pro dia, alcançou imensa fama, e junto, claro, veio a SG. Recheado de improvisos, o set de Santana teve seu ápice na execução super dançante, cambaleante de Soul Sacrifice.

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Santana e sua SG Special

O segundo mais lembrado foi Mr. Pete Townshend do The Who. Aliás show memorável, Pete ganhou fama pelo seu jeitão estabanado e a violência com que atacava as cordas. Ao ver qualquer show do The Who, qualquer um fica com a impressão de que em algum momento ele irá tacar aquela guitarra em algum lugar e nocautear algum integrante da banda.  A verdade é que no próprio show em Woodstock, a fúria de Pete foi despertada quando Abbie Hoffman, um ativista político norte-americano subiu ao palco, interrompendo o show do The Who, completamente louco de ácido, e começou a discursar no microfone do Pete!!!! Aposto que nessa hora metade do público em Woodstock (a que ainda  sabia que estava num festival de música) deve ter feito: “Ihhh…”, “Viiiixe”, “fudeu”. Só existe audio desse acontecimento; e ao que parece, o Pete simplesmente arremessou o cara do palco, e você acha que ele fez isso com o quê? adiviiinha! Com a Gibson SG Special dele, ué.

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Pete e sua SG Special

E o Pete ainda finalizou da seguinte sutil maneira: “A próxima maldita (‘maldita’ pra traduzir ‘fucking’ é ótimo né?) pessoa que cruzar esse palco eu vou matar, alright?” Tenso… Você pode conferir este incidente neste video, que contém legendas em inglês.

O terceiro guitarrista, e felizardo, a empunhar uma SG no festival, embora não fosse o modelo Special, mas a Standard, foi ninguém menos que o tresloucado, tipo guru estranho, e mais todos os adjetivos imagináveis, Jerry Garcia do Grateful Dead. As diferenças da Standard para o modelo Special são, especialmente, os captadores humbucker, de dupla bobina, frisos mais proeminentes na escala, e as lindas marcações trapezóides em madrepérola, como nas Les Pauls Standards.

Jerry Garcia e sua SG
Jerry Garcia e sua SG

Bem pessoal, é isso!

a matéria original que me inspirou a escrever este artigo, ótima leitura hein: http://www.gibson.com/en-us/Lifestyle/Features/sgs-at-woodstock-528/

mais infos e fotos de Woodstock em blogs: http://www.sedentario.org/imagens/40-anos-do-festival-de-woodstock-18546

http://fottus.com/pessoas/fotos-woodstock-40-anos-1969/

mais infos sobre a SG em blogs: http://rockandroll.blog.br/2009/04/gibosn-sg-e-angus-young/

http://rockandroll.blog.br/tag/gibson-sg-special/

Até mais!

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