Mundo Guitarra

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Fender “Mary Kaye” Stratocaster 57′

Junho 10, 2009 · 1 Comentário

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“A primeira dama do rock n’ roll”. É dessa maneira, com essa alcunha tão admirável, que muitos até hoje se referem à cantora e guitarrista Mary Kaye (nascida Mary Ka’aihue, no Hawaii), especialmente aqueles que viveram os anos 50, a grande década de ruptura de um mundo tímido e camponês para o mundo voluptuoso e barulhento do rock. Mary foi pioneira absoluta em sua geração, símbolo forte de rompimentos e das reivindicações que não conseguiam mais seguir caladas e reprimidas. Em plenos anos 50, mais precisamente 1956, essa devia ser a primeira impressão para quem, numa leitura distraída de catálogo comercial, de repente se deparasse com um anúncio de guitarras com uma  mulher, e dessa vez não era uma figurinista de fundo de bastidores com um sorriso amarelo, era simplesmente uma mulher empunhando uma guitarra!! Lembre-se, estamos falando dos anos 50, ainda havia segregação racial nos EUA e mulheres não eram muito mais que uma propriedade de seus maridos, que vinham no pacote junto com a casa própria e o Oldsmobile da família. A imagem de Mary Kaye é o equivalente a um ”Martin Luther King” das mulheres no cenário do rock e da guitarra, um marco da libertação feminina nos anos 50, quando a àgua ainda estava começando a borbulhar, pronta para ferver na década seguinte.

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Mary Kaye Trio (1956): Foto do catálogo da Fender de 56

Em 1956, a Fender decidiu promover um anúncio com o “Mary Kaye Trio”, grupo de Mary, precursor do fenômeno “lounge” nascido em Las Vegas. Este anúncio é bastante significativo da história da Fender, pois nele figura a primeira guitarra ‘custom’ de sua história, introduzindo opcionais estéticos em relação aos modelos two-tone sunburst de 1954; é portanto a primeira investida da Fender na segmentação de sua produção, oferecendo ao consumidor diferentes padrões de qualidade e preço, podendo acrescentar, de certa maneira, opcionais como ferragens douradas. O novo modelo, lançado comercialmente em 1957, era uma Fender Stratocaster feita com corpo em ash, braço em maple com escala clara, na cor blonde e principalmente, com ferragens douradas, a jóia da coroa.  No catálogo, ela era simplesmente descrita como “Blonde/gold parts”. Ao preço de US$330,00 você poderia adquirir uma, com opção de levá-la no case tweed, acrescidos mais 49 dólares. O que verdadeiramente impulsionou a venda dessas guitarras foi a foto de Mary Kaye no catálogo, de forma que quando as pessoas iam às lojas, não pediam pela Stratocaster Blonde/gold parts, e sim pela Strato da Mary Kaye, de forma que essas guitarras acabaram sendo batizadas de “a Mary Kaye” nos primeiros círculos de colecionadores. As stratos “Mary Kayes” originais estão certamente no grupo das guitarras Fender mais colecionáveis, muito difíceis de serem encontradas no mercado. A Custom Shop reeditou a ”Mary Kaye” em 87, com uma tiragem extremamente limitada, e por isso, só essas reedições já podem chegar a US$10.000 nos EUA. A “Mary Kaye” é o anjo barroco das Stratocasters, digamos assim, elegantes e suntuosas, porém simples.

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Detalhe das ferragens douradas

 

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Detalhe da cor Blonde sobre o corpo ash

 

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Mary Kaye da Custom Shop, 87′

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As guitarras dos Beatles

Maio 28, 2009 · 2 Comentários

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Com a chegada do The Beatles Rock Band, nada mais natural do que esmiuçar o arsenal de guitarras usadas pelos Fab Four de Liverpool. Os Beatles foram talvez a primeira banda de rock a realmente alavancar as vendas das guitarras que empunhavam, em parte porque junto com o brilho revolucionário que a banda trazia, veio também no pacote qualquer coisa que envolvesse a banda: as roupas, o corte de cabelo, os óculos e claro, perguntas como ’que guitarra é aquela que o Lennon tá usando?’.

Mas com guitarras é claro que foi diferente, pois não atuavam como simples coadjuvantes, como um simples ‘jeito de se vestir e portar’, as guitarras dos Beatles eram também responsáveis pela identidade sonora da banda, entoando timbres aveludados e  riffs que são reconhecidos até hoje em poucas notas. Na net há uma extensa bibliografia só a respeito das guitarras dos beatles, às vezes com dados que não se encaixam ou mesmo conflitantes, o que dá um sério trabalho para elaborar uma relação fiel dos instrumentos.

De todo modo, as melhores informações provém de arquivos fotográficos ou mesmo da própria banda, pois é claro que, na década de 60, tocar guitarra era algo excêntrico o suficiente para despertar a curiosidade de qualquer entrevistador, nem que fosse uma questão singela, algo como ‘que tranqueira é essa?’. Não era raro portanto, que os entrevistadores perguntassem sobre o que era aquilo, como funcionava, o que era aquela parafernália de botões, para quê servia, de onde que saía o som, etc. Nos Beatles, assim como em todas as bandas que querem começar (tem coisas que não envelhecem), havia inicalmente um excesso de guitarristas, aquela coisa, muito cacique para pouco índio, muita guitarra para um quarteto ou quinteto.

John, George e Paul eram todos, em princípio, guitarristas. McCartney inclusive, quando solicitado por Lennon a provar suas qualidades musicais, impressionou a todos do Quarry Men (a primeira banda de Lennon) pela sua habilidade com a guitarra. Até 1961, quando George ingressa no grupo, Paul era guitarrista rítmico da banda. Desse ponto em diante, Paul entra no lugar de Stu Sutcliffe e passa a tocar baixo nas turnês de Hamburgo em diante. Lennon sempre gostou de tocar guitarra e nunca a deixou de lado nas composições, ele reconhecia a importância que o instrumento tinha na personalidade das canções; embora não fosse exímio guitarrista, cada composição de Lennon era uma prova viva de que são as poucas notas nas suas melhores combinações que produzem riffs matadores e melodias tenras.

E o George? Bem, esse é gênio, acredito até que é muito subestimado pela imprensa especializada, seus riffs são tão marcantes que eu arrisco a dizer que o que todos nós conhecemos como rock tem algum quê do estilo musical de George, juro, desde aquele som cortante das ultra distorções do grunge, até aqueles chorus dos anos 80, não importa a “roupa”, entende, mas a maneira de elaborar, de dividir os riffs, os refrões, as entrelinhas das guitarras vocês acham que vem de onde??

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Danelectros

Maio 27, 2009 · Deixe um comentário

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Tenho que confessar, tenho uma queda fortíssima por Danelectros.

Não sou um exímio guitarrista, mas fascinado por guitarras. Quando me mudei para meu novo apartamento, após a compra dos móveis, cheguei no impasse de como decorar as paredes. Bastou uma ida a uma loja de quadros e posters para constatar que qualquer gravura legal emoldurada me custaria o mesmo que uma Ibanez Artcore (não quero entrar  no mérito de qualidade da série Artcore) que eu estava namorando pelo Mercado Livre. 

Pensado isso, agradeci ao atendente da loja de posteres e arrematei a primeira guitarra da série decorativa do apartamento. Uma Ibanez Artcore Af86 Violin Burst.

Ibanez Af 86
Ibanez Af 86

Comprei um suporte de parede IBOX e pendurei na minha sala. Começou então a insanidade. Pendure UMA guitarra na sua parede e logo vc começará a colecionar. Na mesma semana comprei uma AFS75T, azul.

AFS75T
Ibanez Afs75t

Bem, não demorou para meu dinheiro começar a ir todo para isso, até que numa dessas buscas encontrei a guitarra que tem a pior qualidade de fabricação aliada ao melhor estilo que uma guitarra pode ter: uma Danelectro. (antiga Silvertone)

Meus queridos. Deixo o Pedro fazer um review técnico e entendido das Danelectros quando ele puder, eu só darei minhas opiniões superficiais e os motivos da minha paixão pelas Danes.

Aqui vai a lista:

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Jeff Beck finalmente entra para o Hall da Fama do Rock

Maio 25, 2009 · 2 Comentários

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Essa é uma daquelas coisas que a gente não consegue entender e o Rock and Roll Hall of Fame está cheio dessas. Você se pergunta: mas como assim? O Jeff Beck já não tá lá há décadas? Pois é, só entrou agora e tem gente ainda na fila que, embora eu tome como de gosto duvidoso, é praticamente óbvio que contribuiram muito mais à divulgação do rock and roll do que artistas como Run-DMC, James Taylor (wtf?), Madonna (ahn?) e Michael Jackson (WTF????). O Kiss por exemplo nunca conseguiu entrar, mas a Madonna tá lá. Vai entender…

Enfim, parabéns ao Jeff Beck, que entra no Hall com todo mérito possível, tendo contribuído, desde os Yardbirds, tanto para divulgação do rock quanto da guitarra elétrica. Teve a oportunidade inclusive de um dia ter se reunido a mais dois monstros na mesma banda, ao mesmo tempo, Jimmy Page e Eric Clapton nos Yardbirds. Isso sim é currículo pra uma banda. Saiu dos Yards em 1967 para formar o The Jeff Beck Group, com Rod Stewart nos vocais e Ron Wood (do Rolling Stones, esse mesmo) no baixo.

Recomendo a todos que em algum momento de sua vida dêem uma conferida nos albuns Blow By Blow e Wired, dois clássicos tanto do rock quanto da história do instrumentalismo guitarrístico (palavra nova?)

ARSENAL

Jeff em grande parte de sua vida optou pelas Fender Stratocaster, sendo a guitarra que define seu timbre pós 67, desenvolvendo captadores específicos junto à Custom Shop da Fender, com altas resistências e entregando muito sinal, conferindo distorções quentes com a técnica de dedilhados que ele mesmo desenvolveu ao longo dos anos. A Fender possui em sua linha de Signatures uma Jeff Beck feita pela divisão da Custom Shop (então não espere um precinho camarada né amigo), reproduzindo todas as características fundamentais do modelo que a própria Fender produz especialmente para ele. Corpo de Alder, braço formato C, tremolo de dois pivôs sincronizados, LSR roller nut e capinhas e knobs de plástico envelhecidos.

Fender Custom Shop Artist Series Jeff BeckFender Custom Shop Artist Series Jeff Beck

Outra guitarra famosa utilizada por Jeff durante uma época foi uma Gibson Les Paul na cor Oxblood original de 1954, que a Gibson teve a feliz ideia de reproduzí-la neste ano de 2009 e lançá-la no mercado. Qual é a má notícia? Bem, a má notícia é que a Gibson teve a infeliz ideia de só lançar 100 exemplares. Então meu camarada, como vc já sabe, já viu o precinho da criança né. Jeff usou essa guitarra na década de 70, em sua carreira solo, tendo adquirido ela na famosa Strings and Things Guitar Store, que então a vendia como um modelo 55 (não sabendo q era 54) com finish goldtop original. Jeff fez um refinish na pintura, colocando uma cor que misturava o marrom-chocolate com tonalidades de vinho que brotaram depois da aplicação do verniz. Também substituiu os captadores P-90 originais por Humbuckers PAF. Diz a lenda que o luthier, a quem jeff encomendou as modificações, odiou ter feito esse trabalho e que em princípio havia se recusado, pois achava que as primeiras les pauls goldtops feitas no mundo já eram raras demais pra fazer tais modificações.

Se você quiser uma dessas, tá a pechincha de US$6999,99 na www.musiciansfriend.com; mas não demore, pois depois que elas acabarem, subirá demais de preço, a exemplo das limited runs Duane Allman e Jimmy Page, que tbm foram feitas em torno das poucas centenas, e que dos US$8000 dolares iniciais, partiram para mais de 30k depois que sumiram das lojas.

Gibson Custom Jeff Beck 1954 Les Paul OxbloodGibson Custom Jeff Beck 1954 Oxblood Les Paul

Jeff também utilizou uma Esquire na era Yardbirds toda modificada, com apenas um captador e remolde do corpo, onde fez um declive na parte em que se apoia o antebraço, para maior conforto, ao que parece. Olhando pra ela pareceu um trabalho de açougueiro, mas acabou por se tornar um statement do rock, e sim, vc deve estar imaginando e eu te respondo, sim, muitas pessoas fizeram a mesma coisa em suas telecasters pra ficar igual a dele. Até que, tcha-rammm, adivinha! A divisão Custom Shop da Fender resolver lançar um clone fiel dessa guitarra, com todas as modificações da original, inclusive o trabalho de açougue e todo relic depois de anos de uso. De tiragem limitadíssima, restrita a 150 instrumentos (pois haja trabalho dos infernos deixar todas iguaizinhas com os craquelados e descascos no mesmo lugar). Quem quiser uma dessas, que aliás será o máximo que vc um dia chegará perto da Esquire original dele, vai desembolsar com um sorriso amarelo os US$4999,99 lá nos EUA, é lóóógico, por que vc não espera ver uma dessas aqui no Brasil né?, alias é melhor que nem chegue pois o preço será tão absurdo que prefiro deixar passar essa. 

Fender Custom Shop Custom Shop Limited Edition Jeff Beck Tribute Esquire
Fender Custom Shop Artist Series Jeff Beck Esquire
 
Até a próxima pessoal!

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