Os 10 melhores timbres de guitarra gravados em amplificadores pequenos

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Se tem uma coisa pela qual sou aficcionado são os amplificadores de pequeno porte. Inicialmente, essas mini fábricas de timbre tinham público alvo bem definido pelas empresas: iniciantes, estudantes, amadores, quer dizer, jovens que queriam tocar guitarra. Bem, e o que aconteceu? Esses iniciantes tinham pouca grana, juntavam a mesada dos pais e no final das contas, será que dava para comprar o Fender Super Amp Tweed de 35 watts (na década de 50, um dos melhores que você poderia comprar)? Nããão! Então sobrava a linha econômica das fabricantes, que geralmente não ultrapassavam os 12 watts.

Agora pense, para um garoto que estava começando a ouvir Elvis Presley, Link Wray, Chuck Berry e Buddy Holly, aqueles amplificadores pequenos começavam a soar como sussurros no volume médio. E o que fizeram esses garotos? Tcha-ram! Eles, estes humildes garotos, escoteiros, colecionadores de baseball cards, foram os VERDADEIROS precursores e pais das distorções mais brutais do rock n’ roll. Eles pegavam seus amplificadores valvulados de 5 watts e os colocavam no último volume (senão, como poderiam acompanhar aquela bateria improvisada com o amigo?); e o que era pra ser apenas um instrumento musical moderninho que os pais deram de natal, acabou varrendo tudo o que encontrava pela frente, como um furacão desgovernado, empurrado pelas válvulas operando ao limite, distorcidas e infernais. E de repente, o que antes era “Putz, que merda, vou ter que colocar o volume no talo e vai distorcer tudo, êta pobreza”, acabou por se tornar “Go! Go!, Gooo! Johnny Go Go Go!”

Então, em homenagem aos verdadeiros precursores do som distorcido de guitarra, apresento aqui uma lista dos 10 timbres mais sublimes já produzidos na história dessas minúsculas maravilhas, esses verdadeiros pedacinhos de paraíso. Vamos lá…

Clique no link para ler toda a matéria:

10) Eric Clapton com um Fender Champ Tweed: Em ‘Layla’, do álbum Layla and Other Love Songs do Derek and The Dominoes. Clapton utilizou um um combo Fender Champ de 3 watts da década de 50. Esses Champs tinham acabamento em tweed amarelado, um tipo de tecido grosso, com apenas um controlador de volume, circuito bastante simples ponto-a-ponto, soldado a mão, claro. Um Champ Tweed em boas condições custa hoje em dia entre US$1000,00 e US$1500,00 nos EUA

Fender Champ Tweed 57'
Fender Champ Tweed 57′

 

 

9) Ted Nugent e um Fender Deluxe Tweed: Em ‘Cat Scratch Fever’ de Ted Nugent, gravado com um Fender Deluxe do início década de 60 em tolex tweed. Com uma distorção cremosa e dinâmica, falante de 12 polegadas Jensen P12R, 12 watts de saída, 2 válvulas do tipo 6V6 e retificação com válvula 5Y3. Estes amps são muito procurados e podem chegar a custar até US$8.000 se estiverem em condições N.O.S (New Old Stock), como se tivessem acabado de sair da fábrica.

Fender Deluxe Tweed 60'

Fender Deluxe Tweed 60′

 

8) Joe Walsh e um Fender Champ Tweed: Em ‘Rocky Mountain Way’ de Joe Walsh, do álbum The Smoker You Drink, The Player You Get, de 1973. O solo em slide foi feito com um Fender Champ, o mesmo de Layla.

 

7) Joe Perry & Brad Whitford com Fender Champ Tweed: Em todo álbum Honkin’ on Bobo, de Aerosmith. Joe Perry e Brad Whitford gravaram todas as guitarras deste disco adivinha em qual amp!? No Fender Champ Tweed, oras. Já deu para perceber não é? O Champ dispensa comentários, e justamente por isso, apenas escute Shame, Shame Shame, deste álbum e curta este timbre glorioso.

 

6) Dave Davies (Kinks) e um Elpico Ac85: Em ‘You Really Got Me’ do The Kinks. O guitarrista Dave Davies se frustrava sem parar na tentativa de gravar as guitarras com seu VOX AC-30. De tão frustrado, foi até a uma loja de esquina de eletrônicos usados, junkies etc. e comprou um pequeno Amp Elpico. Confira o que ele fez!

Amplificador Elpico
Amplificador Elpico

 

5) ZZ Top e Fender Champ Tweed: Especialmente em ‘La Grange’ de ‘Tres Hombres’ (1973), ZZ Top, os reis do timbre. Adivinha qual né? Sem comentários…

 

4) Steve Cropper em um Fender Harvard Tweed. Uma demonstração de que amps pequenos também possuem ótimos sons cleans, e não devem nada a seus irmãos maiores. 10 watts em um falante de 10′ polegadas, os Harvards eram como os Champs, porém com 10 watts, garantindo mais potência e melhor comportamento com timbres clean, distorcendo bem menos que os champs, mas com a mesma cremosidade e gordura de um Champ.

Harvard_1962

Fender Harvard Tweed 62′

 

3) Jeff Beck e um Fender Champ blackface, da década de 60, em Cause we ended as lovers, do álbum Blow By Blow de 1975. A versão blackface do Champ vinha, lógicamente, na estética dos blackfaces, com o circuito 5f1 dos champs de 56 até 64, quando houve fase de transição aos blackfaces.

Champ_Blkface-1965

Fender Champ 65′

 

2) Neil Young com um Fender Deluxe Tweed: Young é conhecido por ter sido um dos primeiros guitarristas a investir num mega sistema de som P.A e microfonagem para fazer um amp tão pequeno como o Deluxe soar como gigantesco. Country Home do álbum Ragged Glory de Neil é um ótimo exemplo de sua paixão pelos Tweed Deluxe.

1) Jimmy Page com um Valco: Especialmente nos álbuns Led Zeppelin I e II, o supra-sumo dos timbres em amps pequenos. Jimmy Page recorria constantemente a amps pequenos como o Valco Supro, com timbres doces quando calmos, mas de distorções extremamente furiosas quando provocados. Dê uma conferida neste video e entenda porque esses pequenos amps podem chegar a preços bem robustos, às vezes US$2495,00 por um exemplar.

*listagem segundo artigo em http://www.gibson.com/en-us/Lifestyle/Features/10-huge-sounds-recorded-521/

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7 Respostas para “Os 10 melhores timbres de guitarra gravados em amplificadores pequenos

  1. Adorei a historinha dos garotos com suas mesadas. Um misto de lamento com o desejo enorme de tocar! =) Big boys!

    Beijo

  2. Este é um ótimo guia de compras de amplificadores. Pena que no Brasil, hoje em dia, qualquer valvulado de 5W começa em R$ 1.000,00 . Pelo seu review, parece que são ideais para se ter em casa e tocar desde blues até rock clássico. e se quiser potência, basta microfoná-lo no palco. Gostei!!

  3. É verdade, é uma pena que no Brasil os amps valvulados cheguem muito caro com todos os impostos de importação, e além disso, a gente ainda não tem muita diversidade na produção nacional de amplificadores valvulados. Os amps de pequeno porte são perfeitos pra studios, gravações, são mais domesticáveis, digamos assim, muito mais fáceis no processo de captação, eles não demoram muito para atingirem seu ápice, não é preciso ficar horas timbrando um amp, como sei lá, imagine um daqueles marshall porrada de 100 watts com 23 controladores de ganho, drive, volumes master, volumes de pré, presença, milhares de retificações, quer dizer, tudo bem, você tem milhões de timbres diferentes nesses marshall, mas o que que adianta se você não consegue chegar no timbre bom e tem que ficar andando pelos 999.999 caminhos. Os amps pequenos raramente tem mais que UM controlador, o VOLUME!!! E aí a gente pensa, nossa mas não tem nem um EQ simples? E imaginar que mesmo sem um EQ, um amp como esse Champ Tweed foi a escolha número um de muita gente na hora de gravar, simples, pq soavam muito melhor!!!!

    Abração a todos

    P.S: Ainda vou fazer um guia de compras só com amps de pequeno porte, a cada dia lançam um amp desses novo, o mercado reacendeu pra esse lado dos amps até 5 watts, acho isso muito bom, pra todo mundo.

  4. Bom dia rapaz, tenho um Champion 600 Reissue, e gosto destes pequenos amps por um misto de gosto vintage e impossibilidade financeira…. hehehe.
    Mas tenho uma pergunta; como poderia melhorar a qualidade de timbre meu Champ? Além das válvulas (chinesas…. arghhhhh) o que poderia mais ser trocado?
    Um grande abraço, e parabéns pelos artigos.

    • Oi Bruno, beleza?

      Cara, muitos que compraram o champion 600 reportaram pequenos problemas e propuseram incrementos, alguns parecem dar certo. A primeira sugestão, mais popular por sinal, é a de usá-lo com um bom falante, de 10′ ou principalmente de 12′, comprando a caixa ou simplesmente construindo um gabinete a partir de um bom falante com baixa wattagem de potência, como um Celestion Vintage 30 ou um falante de alnico, como o Celestion Alnico Blue, mas nunca instale ou peça para instalar um falante abaixo do dobro da potência geral do Champion 600. Funciona também mesmo com falantes de maior potência, quando de boa procedência e qualidade. Outra sugestão bastante divulgada é a substituição da válvula 12AX7 por uma válvula de pré que distorça menos, como a 12AT7, e claro uma de boa qualidade, Mullard ou JJ Tesla, por exemplo, mas não faço idéia da disponibilidade aqui no Brasil dessas em específico, mas vale consultar; isso se vc achar que o amp está distorcendo muito “cedo” para o seu gosto, ou quiser melhorar a definição. Essas são algumas. Mas claro, todas essas modificações devem ser solicitadas a alguém especializado.

      Abração Bruno, e valeu pelo elogio!

  5. Mundo da guitarra, muito legal o seu site, primeira vez que entrei aqui e vi que tem um conteudo muito profissional. Sou um facinado por timbre de guitarra, parece que vejo a alma do guitarrista com o timbre e a pegada do mesmo. Meu proximo projeto é montar um valvulado pequeno para testar os timbres. No momento meu set é um cabeçote base no soldado SLO100 mais com dois canais e outras alterações feitas por mim mesmo. Uso com ele uma caixa 4×12 1960 da Marshall. No loop estou usando um equalizador da boss porém é um equalizador de Baixo, estou usando como atenuador tambem, pois alem de equalizar eu baixo o sinal de entrada das 6l6 e assim posso deixar o master quase no talo…assim o som fica muito monstruoso e a distorção….mtooo louco.
    No pré do cabeçote uso 2 x 12au7 o que deixa o timbre mais encorpado. (toco rock n roll e não heavy metal). Na entrada estou usando um Ts9 da ibanez e no meu peito um Gibson classic 1960. Legal discutir sobre isso…parabens pelo site!!!

  6. Fender, sempre mostrando seu espaço na musica

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